(Por Dra. Vanessa Radonsky)
Recentemente, a Organização Mundial de Saúde fez um alerta sobre o crescimento de casos de microcefalia em regiões com a presença do zika vírus, como em Pernambuco. Verificou-se uma forte relação com a presença de má formação do cérebro dos bebês recém-nascidos em regiões com a presença do zika vírus.
O zika vírus é um vírus proveniente da Uganda, isolado na floresta de Zika há mais de 50 anos. Entre os principais transmissores está o mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e da chikungunya.
O que é microcefalia?
Microcefalia é uma condição neurológica em que a circunferência da cabeça da criança é significativamente menor que a circunferência da cabeça de outras crianças. Quando detectada ao nascimento, a microcefalia usualmente é resultado de um desenvolvimento cerebral prejudicado intra-útero.
A microcefalia pode ser causada por uma variedade de fatores genéticos e/ou ambientais. Crianças com microcefalia, frequentemente, apresentam atraso do desenvolvimento. Geralmente não há tratamento, porém, a intervenção precoce com terapia de suporte, como terapia ocupacional e fonoaudiologia, podem aumentar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida.
O principal sinal de que uma criança tenha microcefalia é uma medida da circunferência da cabeça significativamente menor que de outras crianças, da mesma idade e sexo. Para este diagnóstico, são utilizadas curvas de crescimento e calculado em percentis.
Causas
A microcefalia usualmente é o resultado do desenvolvimento anormal do cérebro, o qual pode ocorrer intra-utero (congênito) ou durante a infância. A microcefalia pode ser genética ou decorrente de fatores ambientais. Entre as causas podemos citar:
- Crâniossinostose: ocorre devido a fusão prematura das suturas cranianas que formam o crânio, impedindo crescimento do cérebro. O tratamento é baseado em cirurgia para manter um espaço adequado entre estas suturas.
- Alterações cromossômicas: Síndrome de Down e outras condições podem cursar com microcefalia.
- Anóxia cerebral (redução da oferta de oxigênio ao cérebro do bebê intra-útero): algumas complicações da gestação ou do parto podem prejudicar a oferta de oxigênio ao cérebro fetal.
- Infecção no feto durante a gestação: inclui toxoplasmose, citomegalovírus, rubéola, varicela e zika vírus.
- Exposição intra-útero a drogas, álcool e alguns produtos químicos: podem aumentar o risco de anormalidades cerebrais.
- Desnutrição grave durante a gestação pode afetar o desenvolvimento do bebê.
Algumas crianças com microcefalia apresentam desenvolvimento neuropsicomotor normal apesar de ter a circunferência da cabeça menor que a média das crianças para a mesma idade e sexo. Porém, dependendo da gravidade da causa que provocou a microcefalia, algumas complicações podem ocorrer:
- Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
- dificuldade de coordenação motora;
- baixa estatura e alterações faciais;
- hiperatividade;
- retardo mental;
- convulsões.
O diagnóstico de microcefalia é simples, realizado através da medida da circunferência da cabeça do bebê e comparada com a média de crianças para a mesma idade e sexo utilizando gráficos apropriados. A medida da cabeça dos pais também deve ser realizada. Em alguns casos, principalmente se o desenvolvimento está atrasado, exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética de crânio associado a alguns exames de sangue podem ser úteis para ajudar a determinar a causa base do atraso.
Com exceção da cirurgia para craniossinostose, geralmente não há tratamento para reversão da microcefalia. O foco do tratamento está no manejo das complicações da criança. Programas de intervenção precoce nestas crianças devem incluir terapia ocupacional, fisioterapia motora e fonoterapia. Algumas medicações podem ser necessárias nos casos de hiperatividade e convulsão.
Ter uma criança com microcefalia pode gerar dúvidas em relação a futuras gestações. Se a causa for genética, a recomendação é de procurar um geneticista para a realização de aconselhamento genético.